CONTINUAÇÃO DA ENTREVISTA COM ISABEL MOURA, TÉCNICA DO SEA GRS ARUJÁ
POR IGOR RESENDE
Isabel Moura – Não. Estamos preparando a equipe pros jogos regionais. Na nossa vitória, inclusive, deixamos a equipe sub-20 em quadra por um grande período. Pelo menos nessa categoria, estamos no caminho certo.
Mulheres do Futsal – Como funciona esse projeto de recuperação social.
Isabel Moura – Muitas vezes as meninas chegam aqui com a moral muito baixa, se sentindo rejeitadas por terem sido reprovadas em outros testes ou enfrentando graves problemas familiares. Nós não fazemos peneiras. Quer dizer, no primeiro dia elas vêm achando que será um teste, mas quando termina o treinamento dizemos que todas são bem vindas pelo tempo que quiserem aprender. As nossas melhores jogadoras são inscritas em campeonatos e eu os vejo como vitrine. Coloco as jogadoras para que elas demonstrem seu futebol e possam ir para outras equipes. E isso já aconteceu! Temos meninas que começaram aqui jogando pelo time de Pindamonhangaba, pelo time de Suzano. Queremos dar um respaldo para que elas se mostrem para outras pessoas.
M. F. – Quanto à educação, você vê alguma relação com os esportes?
I. M. – Olha, foi o esporte que conseguiu financiar a minha educação. Consegui bolsa de estudos jogando pela minha faculdade. E isso já se repetiu com uma das nossas jogadoras, que hoje estuda no Mackenzie. Além disso, a gente tenta elevar a moral das meninas. Hoje a facilidade de conseguir bolsas pelo PROUNI é maior, mas elas chegam aqui tão desanimadas que nem tem forças para tentar qualquer coisa. As vezes tenho que ser mãe, tia, avó das jogadoras. Muitas delas já dormiram na minha casa por algum problema familiar. Tento ajudar sempre que possível.
M. F. – Como surgiu toda essa paixão pelo esporte? Desde o começo você está ligada ao futsal?
I. M. – Eu estudei no SESI, onde